[1] Ó Deus, ouvimos com os próprios ouvidos; nossos antepassados nos contaram tudo que fizeste em seus dias, muito tempo atrás.
[2] Com teu poder, expulsaste as nações e estabeleceste teu povo na terra. Esmagaste os povos inimigos e libertaste nossos antepassados.
[3] Não foi por suas espadas que eles conquistaram a terra, não foi pela força de seus braços que alcançaram vitória. Foi pela tua mão direita e pelo teu braço forte, pela luz intensa do teu rosto; foi por causa do teu amor por eles.
[4] Tu és meu Rei e meu Deus; decretas vitórias para Israel.
[5] Com teu poder, afastamos nossos inimigos; em teu nome, pisoteamos nossos adversários.
[6] Não confio em meu arco, não conto com minha espada para me salvar.
[7] Tu nos concedes vitória sobre nossos inimigos e envergonhas os que nos odeiam.
[8] Ó Deus, o dia todo te damos glória e louvamos teu nome para sempre. Interlúdio
[9] Agora, porém, tu nos rejeitaste e nos envergonhaste; já não conduzes nossos exércitos para as batalhas.
[10] Tu nos fazes bater em retirada diante de nossos inimigos e permites que sejamos saqueados por aqueles que nos odeiam.
[11] Entregaste-nos como ovelhas para o matadouro e espalhaste-nos entre as nações.
[12] Vendeste teu povo precioso por uma ninharia e não tiveste lucro com a venda.
[13] Permitiste que as nações vizinhas zombassem de nós; somos objeto de desprezo e ridículo para os que nos rodeiam.
[14] Fizeste de nós motivo de riso entre as nações; com desdém, balançam a cabeça para nós.
[15] Não há como escapar da humilhação constante; temos o rosto coberto de vergonha.
[16] Não ouvimos outra coisa, senão os insultos dos que zombam de nós. Não vemos outra coisa, senão os inimigos que desejam vingança.
[17] Tudo isso aconteceu sem que nos esquecêssemos de ti, sem que fôssemos infiéis à tua aliança.
[18] Nosso coração não te abandonou, não desviamos os pés de teu caminho.
[19] Tu, porém, nos esmagaste no deserto, onde vivem os chacais, e nos cobriste de escuridão e morte.
[20] Se tivéssemos nos esquecido do nome de nosso Deus, ou estendido as mãos em oração a deuses estrangeiros,
[21] Deus com certeza saberia, pois ele conhece os segredos de cada coração.
[22] Mas, por causa de ti, enfrentamos a morte todos os dias; somos como ovelhas levadas para o matadouro.
[23] Desperta, Senhor! Por que dormes? Levanta-te! Não nos rejeites para sempre!
[24] Por que escondes o rosto de nós? Por que te esqueces de nosso sofrimento e opressão?
[25] Desfalecemos no pó, caídos com o corpo no chão.
[26] Levanta-te e ajuda-nos! Resgata-nos por causa do teu amor!