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Listen to this chapter • 5:33

[1] Alguns fariseus e doutores da lei foram de Jerusalém ter com Jesus e fizeram-lhe esta pergunta:

[2] «Por que é que os teus discípulos não fazem caso da tradição dos antigos? É que eles não lavam as mãos antes de comer.»

[3] Jesus perguntou-lhes por sua vez: «E por que é que também não fazem caso do mandamento de Deus por causa das vossas tradições?

[4] Por exemplo, Deus disse: “Respeita o teu pai e a tua mãe.” E disse também: “Aquele que disser mal do pai ou da mãe deve ser condenado à morte.”

[5] Em vez disso afirmam: “Se alguém disser ao pai ou à mãe que aquilo com que os poderia ajudar é uma oferta a Deus,

[6] nesse caso, fica dispensado de ajudar o pai ou a mãe.” Desse modo, tiram o valor à palavra de Deus para seguirem o que é apenas uma tradição vossa.

[7] Fingidos! Razão tinha o profeta Isaías para dizer a vosso respeito:

[8] Este povo honra-me com palavras, mas o seu coração está longe de mim.

[9] É em vão que eles me adoram, pois ensinam doutrinas que não passam de regras feitas pelos homens .»

[10] Jesus chamou outra vez a multidão e disse: «Ouçam e vejam se compreendem!

[11] O que torna as pessoas impuras não é o que lhes entra pela boca, mas sim o que lhes sai da boca.»

[12] Então os discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus ficaram muito ofendidos ao ouvirem as tuas palavras?»

[13] Jesus respondeu: «Toda a planta que meu Pai do Céu não plantou há-de ser arrancada.

[14] Deixem-nos lá! São cegos que fazem de guias a outros cegos. E quando um cego guia outro, acabam por cair os dois num buraco.»

[15] Pedro pediu: «Explica-nos essa parábola.»

[16] Jesus respondeu: «Também não são ainda capazes de compreender?

[17] Não sabem que tudo o que uma pessoa comer ou beber vai para o estômago e depois é deitado para fora do corpo?

[18] Mas as coisas que saem da boca duma pessoa são as que vêm do coração. Essas é que a tornam impura.

[19] Porque do coração é que vêm os maus pensamentos que levam a matar, a cometer adultério, a viver em devassidão, a roubar, a jurar falso e a injuriar a Deus.

[20] São estas coisas que tornam as pessoas impuras. Mas isso de comer sem primeiro lavar as mãos não é o que as torna impuras.»

[21] Jesus saiu daquele lugar e retirou-se para as regiões de Tiro e Sídon.

[22] Então uma mulher cananeia, que era dali, foi ter com ele e gritou: «Senhor, Filho de David, tem piedade de mim! A minha filha está possessa do Demónio e encontra-se muito mal.»

[23] Mas Jesus nada lhe respondeu. Os discípulos chegaram-se e pediram-lhe: «Manda-a embora! Ela não pára de gritar atrás de nós.»

[24] Jesus então disse: «Eu só fui enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel.»

[25] Mas ela veio ajoelhar-se diante dele e suplicou: «Senhor, acode-me!»

[26] Jesus lembrou-lhe: «Não está certo tirar o pão aos filhos para o deitar aos cães.»

[27] «É verdade, Senhor», reconheceu ela, «mas também os cães comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos.»

[28] Então Jesus exclamou: «Ó mulher, grande é a tua fé! Pois seja como tu queres.» E, a partir daquele instante, a sua filha ficou curada.

[29] Jesus saiu daquela região e seguiu pela margem do lago da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se.

[30] Então foi lá ter com ele uma grande multidão trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes. Puseram-nos aos pés de Jesus e ele curou-os.

[31] O povo ficou cheio de espanto ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficarem sãos, os coxos a andar e os cegos a ver. E davam louvores ao Deus de Israel.

[32] Então Jesus chamou os discípulos para junto de si e disse-lhes: «Estou com pena desta gente. Andam comigo há três dias e não têm nada para comer. Não quero mandá-los embora com fome, senão são capazes de cair de fraqueza pelo caminho.»

[33] Os discípulos perguntaram-lhe: «Onde é que havemos de arranjar, aqui neste deserto, pão que chegue para matar a fome a tanta gente?»

[34] Jesus perguntou: «Quantos pães têm aí?» Eles responderam: «Sete e alguns peixes.»

[35] Jesus mandou o povo sentar-se no chão.

[36] Pegou nos sete pães e nos peixes, deu graças a Deus, partiu-os e ia-os dando aos discípulos. E os discípulos davam-nos ao povo.

[37] Todos comeram até ficarem satisfeitos, e ainda se encheram sete cestos com os pedaços que sobejaram.

[38] Ora o número dos homens que comeram era de quatro mil, não contando mulheres e crianças.

[39] Depois Jesus mandou o povo embora, entrou no barco e foi para os lados de Magadã.

Evangelho Segundo Mateus — Chapters