10 August 2026
Conexões Afro-Lusófonas #14: Moçambique implanta o ensino de suas línguas nativas no sistema educacional
Conexões Afro-Lusófonas
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Desde a sua independência, em 1975, Moçambique adotou o português como língua oficial. Contudo, existem regiões do país onde se falam línguas como o Emakhuwa, Xitsonga/Tsonga, Cisena, Ciyao, Cichangana, Echuwabo e o Shimakonde, entre outras. “São mais de 40, além do português”, estima o sociólogo moçambicano Abobacar Mumade Ali, entrevistado deste episódio de Conexões Afro-Lusófonas, que abordou a educação e a cultura em Moçambique. “As nossas línguas nativas, em sua maioria de origem bantu, são protegidas pela Constituição”.
Abobacar Mumade é sociólogo pela Universidade de Mondlane, de Maputo, e concluiu seu doutorado pela USP. Ele estima que o ensino de línguas locais moçambicanas na universidade tenha ocorrido há cerca de dez anos. “Isso é uma ‘mais valia’, um ganho que considero salutar para nossa cultura”, celebra. Ele destaca que há escritores debruçando-se sobre as línguas nativas. “Alguns já escreveram, inclusive, dicionários. São línguas que devem ser valorizadas, sempre”, afirma.
A Universidade de Mondlane foi das primeiras a introduzir o estudo de línguas nativas em Moçambique. Foto: Arquivo
Analfabetismo reduzido
Durante as comemorações dos 50 anos da independência de Moçambique, em 2025, o presidente Daniel Chapo anunciou que a taxa de analfabetismo caiu de 93%, em 1975, para 38% em 2024. De acordo com
Abobacar Mumade, a ampliação do acesso à escolarização após a colonização foi um avanço importante, mas exige ponderações. “ Há que se fazer um adendo! Quando se fala em analfabetismo estamos falando de pessoas que não sabem ler e escrever de acordo com o idioma ocidental, no caso o português. Contudo, há muitas pessoas alfabetizadas em idiomas nativos ”, analisa.
Como exemplo, o sociólogo cita o norte de Moçambique, onde habitantes usam o alfabeto árabe para escrever. “Mas ao ler, o faziam na língua local. Para a estatística isso não contava, e a pessoa era denominada como analfabeta”, explica.
Abobacar também destaca que o ensino técnico em Maputo é de boa qualidade. “O saber como, ou know-how, está muito fortalecido de uns tempos pra cá. É a conjuntura atual do mundo e muitas pessoas estão optando por essa modalidade de ensino, que está muito forte em Moçambique”, conclui o sociólogo.
Conexões Afro-Lusófonas
Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link.
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Abobacar Mumade é sociólogo pela Universidade de Mondlane, de Maputo, e concluiu seu doutorado pela USP. Ele estima que o ensino de línguas locais moçambicanas na universidade tenha ocorrido há cerca de dez anos. “Isso é uma ‘mais valia’, um ganho que considero salutar para nossa cultura”, celebra. Ele destaca que há escritores debruçando-se sobre as línguas nativas. “Alguns já escreveram, inclusive, dicionários. São línguas que devem ser valorizadas, sempre”, afirma.
A Universidade de Mondlane foi das primeiras a introduzir o estudo de línguas nativas em Moçambique. Foto: Arquivo
Analfabetismo reduzido
Durante as comemorações dos 50 anos da independência de Moçambique, em 2025, o presidente Daniel Chapo anunciou que a taxa de analfabetismo caiu de 93%, em 1975, para 38% em 2024. De acordo com
Abobacar Mumade, a ampliação do acesso à escolarização após a colonização foi um avanço importante, mas exige ponderações. “ Há que se fazer um adendo! Quando se fala em analfabetismo estamos falando de pessoas que não sabem ler e escrever de acordo com o idioma ocidental, no caso o português. Contudo, há muitas pessoas alfabetizadas em idiomas nativos ”, analisa.
Como exemplo, o sociólogo cita o norte de Moçambique, onde habitantes usam o alfabeto árabe para escrever. “Mas ao ler, o faziam na língua local. Para a estatística isso não contava, e a pessoa era denominada como analfabeta”, explica.
Abobacar também destaca que o ensino técnico em Maputo é de boa qualidade. “O saber como, ou know-how, está muito fortalecido de uns tempos pra cá. É a conjuntura atual do mundo e muitas pessoas estão optando por essa modalidade de ensino, que está muito forte em Moçambique”, conclui o sociólogo.
Conexões Afro-Lusófonas
Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link.
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